Escritores e leitores escrevem e ou leem romances, ensaios, teses dos mais variados temas, desde a vida da pulga nos pelos do cão ao comportamento algo atípico do planeta HD 131399Ab, devido aos três sóis que tem de gravitar. De forma mais ou menos direta ou escondida, expõem as suas vidas (ou as dos seus personagens e objetos) escarrapachadas e sofridas ou venturosas. Geralmente, misturam a realidade e a ficção, atirando substantivos, adjetivos e verbos em catadupa, rodeando os personagens das virtudes e defeitos que todos partilhamos.
Por exemplo, o Santos escreve e lê notícias com aquela entoação teatral de quem vive dentro dos acontecimentos, Depois, nos livros, envolve esses ou outros factos ditos reiais numa história inventada. O Vitorino no seu sotaque, encantava-nos com pequenas histórias recheadas de personagens e acontecimentos improváveis, alguns reais outros, possivelmente inventados. Saramago, com frieza e lucidez, recheava as suas histórias de factos reias e imaginários com as inquietudes sociais, que se renovam com sinais de alerta cada vez mais estridentes, face ao iminente abismo coletivo a que vamos chegando.
Os escritores procuram nas palavras o sentido da vida. Fazem o seu percurso e pedem às palavras para, de forma algo subtil, baralhar a cronologia, vaguear pelos factos supostamente ocorridos ou que irão acontecer.
Os Santos, os Vitorinos e os Saramagos desencadeiam emoções e sentimentos... Olham para trás e explicam o dia de hoje. Mas hoje, pensamos no amanhã...
Saramago diz:
"O tempo vivido (e apenas ele, do ponto de vista humano, é tempo «de
facto») apresenta-se unificado ao nosso entendimento, simultaneamente
completo e em crescimento contínuo."
"A Tempo
A tempo entrei no tempo,
Sem tempo dele sairei:
Homem moderno,
Antigo serei.
Evito o inferno
Contra tempo, eterno
À paz que visei.
Com mais tempo
Terei tempo:
No fim dos tempos serei
Como quem se salva a tempo.
E, entretanto, durei."
Esperamos o que dirá o Santos...
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