Mas deixemos a culinária e vamos saber dos encontros do coentro com a salsa. Enquanto a salsa diligentemente atingia a sua maturidade, resistindo às
vicissitudes do clima e das incompreensões humanas, o coentro iniciava a sua vida em ambiente protegido e sem grandes complicações. Conheceram-se, como quase sempre acontece, por acaso. Viam-se, falavam, marcavam novos encontros. Ela pacífica e sofrida, ele jovial e assertivo.
A salsa envelheceu, começou a engelhar, sem dar conta. Foi sobrevivendo, ultrapassada pela história e pelos acontecimentos, enquanto o pujante coentro, embora austero, se mantinha na senda do progresso. As coisas passaram para um fase de desencanto e de baixas expectativas recíprocas.
A salsa abandonou o local de encontro, cabisbaixo e pensativo. "Não devia ter cá vindo... Talvez não volte cá... Terei de encontrar um novo coentro..."
O coentro passa adiante. Muda de ementa e de prato e agora, dá parte do seu aroma a uns pezinhos de borrego.
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