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Coentros


Os coentros numa açorda são uma instituição para um alentejano que se preze. Talvez seja como a salsa utilizada na zona duriense para aspergir o coixão de borrego e arroz, em alguidar de barro a cozinhar num forno de lenha. Tanto os coentros como a salsa têm cheiros penetrantes e caraterísticos. São ervas com estatuto cultural marcante, apesar da sua fragilidade herbácea.

Mas deixemos a culinária e vamos saber dos encontros do coentro com a salsa. Enquanto a salsa diligentemente atingia a sua maturidade, resistindo às vicissitudes do clima e das incompreensões humanas, o coentro iniciava a sua vida em ambiente protegido e sem grandes complicações.  Conheceram-se, como quase sempre acontece, por acaso. Viam-se, falavam, marcavam novos encontros. Ela pacífica e sofrida, ele jovial e assertivo.


A salsa envelheceu, começou a engelhar, sem dar conta. Foi sobrevivendo, ultrapassada pela história e pelos acontecimentos, enquanto o pujante coentro, embora austero, se mantinha na senda do progresso. As coisas passaram para um fase de desencanto e de baixas expectativas recíprocas.

A situação deteriorou-se quando a salsa visita o coentro mas este está relutante em a receber e manda mensageiros com indicações desencorajadoras. Por fim, a custo, recebe-a."Parece que já não sou bem-vinda" disse a salsa, esperando uma resposta negativa. "Que o faz pensar nisso? Bem sabe que esta não é a altura para estarmos a rever os seus problemas... Passe por cá amanhã ou depois... Passe bem" replicou empertigado o coentro.

A salsa abandonou o local de encontro, cabisbaixo e pensativo. "Não devia ter cá vindo... Talvez não volte cá... Terei de encontrar um novo coentro..."

O coentro passa adiante. Muda de ementa e de prato e agora, dá parte do seu aroma a uns pezinhos de borrego.

Comentários

Unknown disse…
Não há melhorarmos....
Unknown disse…
Não há melhor tempero!!!!

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