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Trato principal

O Virgolino tinha ganho a sua reputação de razoável enxertador de bacelos com determinação e trabalho. Por isso, ele era solicitado pelos donos das vinhas para fazer enxertia. Não era o mais desenvolto na tarefa, mas tinha feito o seu lugar de pertencer a um grupo especializado em que o Anselmo e o Russo eram distintos.

Nos fins do Inverno e começo da Primavera lá andava o Virgolino pelas vinhas de quem o rogava. Juntamente com o seu ajudante para chegar os enxertos, ia percorrendo valada a valada e,  ao encontrar um bacelo em condições, pousava o seu cesto de enxertia, pedia ao colega para limpar ao redor do bacelo, pegava na tesoura e cortava-o; com a sua navalha afiada, fazia depois o corte, afiava em cunha o garfo, enfiava-o na ranhura, atava com ráfia e uma pressão suave no garfo para ficar bem apertado; por fim, a sua prece de boa sorte. O ajudante aconchegasse com terra a sua obra.

Mas o Virgolino era exigente. Como qualquer artista gostava de ser tratado com distinção. A dona Purífica, cujo marido emigrara para o Brasil, um dia rogou-o para lhe fazer a enxertia das vinhas dos Poços e das Antas. "Sr. Virgolino, queria que me fosse aos poços e às antas fazer uns enxertos. Tenho lá muitos americanos mesmo a pedir a sua navalha!..." O Virgolino: "Com certeza Dona Purífica . Mas olhe que quero um trato principal!!!". Purífica: "Esteja descansado!!!"
O tratamento especial requerido na comida que a Dona Purífica lhe serviria nos dias de enxertia foi cumprido e as videiras presas, enxertadas pelo Virgolino, lá continuam...


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