Os mordomos da festa do padroeiro de Frielas queriam que a procissão desse ano, tão rico em santidade pela vinda do papa a Fátima, ficasse gravada na história da aldeia. Mas faltava uma peça essencial, a imagem do Senhor dos Paços. Já os seus antepassados tinham tido o mesmo problema, legando essa catastrófica herança de não poderem juntar à Senhora das Dores o seu Filho e Senhor dos Passos. Claro que esta situação corroía-os de inveja, que ia crescendo anualmente, da aldeia vizinha de Pereiras. já que eles dispunham, num dos altares laterais da sua igreja, uma majestosa imagem do dito Senhor.
Mas nesse ano não resistiram à tentação. Discussão acesa entre os mordomos acaba por decidir que, não havendo outra solução, se iria cometer um pequeno "desvio" rumo à santidade, tentando "deslocar" temporariamente o Senhor dos Passos de Pereiras, já que o pedido de empréstimo amigável seria improvável e um rebaixamento a que não se queriam sujeitar. Pela noite, na véspera do dia da procissão, um pequeno grupo iria à igreja, entraria pela porta lateral da sacristia para a qual uma chave quase universal, que o habilidoso Joaquim possuía, resolveria o problema. Com os devidos cuidados levantariam a imagem do altar, envolveriam-na num pano escuro e traziam-na, por empréstimo forçado, para a sua aldeia. No dia seguinte seria posta no andor e faria a programada procissão, sendo depois devolvida à sua terra de origem.
Mas a ação planeada correu mal. Seja por vontade divina ou acaso, a senhora Iria deambulava no adro da Igreja. Embora já fosse noite e os sinos já tivessem debitado as trindades, achou que algo de estranho se passava. Intrigou-a os barulhos e palavras sussurradas vindas da igreja. Não reconhecia as vozes, o que adensava o mistério. Indecisa sobre o que fazer aproximou-se, apurou os sentidos e percebeu que havia homens a assaltar a igreja.
Rapidamente, tudo se precipita. Iria corre para a rua que circunda o adro e grita por socorro e que "acudam todos que estão a roubar a igreja". Levanta-se um burburinho que cresce à medida que a população acorre e se junta. Há pessoas a tentar correr, a trocar palavras e gritos, com lampiões mortiços na mão. Chegam à Igreja, a porta aberta, mas aparentemente nada foi roubado. Os intrusos, já se tinham retirado sorrateiramente, fugindo incólumes. Aparentemente não tiveram tempo para consumar o "desvio".
Nos dias seguintes foi tempo de contar e recontar o sucedido, aparecendo as mais variadas versões. Que sim, tinham roubado uns castiçais: que não, deixaram tudo, só estragaram a fechadura. Que tinham sido uns indivíduos de fora; que não, devia ser gente que conhecia os cantos à casa... Enfim o tempo passou e os detalhes do ocorrido também. Quem lucrou com tudo foi a Iria, que, não só ganhou a maior estima dos conterrâneos, como lhe foi acrescentado ao nome a Católica, alcunha que acompanhou para o resto da vida e pelo qual ainda hoje é recordada. Pelo seu heroísmo e defesa da Igreja.
Mas nesse ano não resistiram à tentação. Discussão acesa entre os mordomos acaba por decidir que, não havendo outra solução, se iria cometer um pequeno "desvio" rumo à santidade, tentando "deslocar" temporariamente o Senhor dos Passos de Pereiras, já que o pedido de empréstimo amigável seria improvável e um rebaixamento a que não se queriam sujeitar. Pela noite, na véspera do dia da procissão, um pequeno grupo iria à igreja, entraria pela porta lateral da sacristia para a qual uma chave quase universal, que o habilidoso Joaquim possuía, resolveria o problema. Com os devidos cuidados levantariam a imagem do altar, envolveriam-na num pano escuro e traziam-na, por empréstimo forçado, para a sua aldeia. No dia seguinte seria posta no andor e faria a programada procissão, sendo depois devolvida à sua terra de origem.
Mas a ação planeada correu mal. Seja por vontade divina ou acaso, a senhora Iria deambulava no adro da Igreja. Embora já fosse noite e os sinos já tivessem debitado as trindades, achou que algo de estranho se passava. Intrigou-a os barulhos e palavras sussurradas vindas da igreja. Não reconhecia as vozes, o que adensava o mistério. Indecisa sobre o que fazer aproximou-se, apurou os sentidos e percebeu que havia homens a assaltar a igreja.
Rapidamente, tudo se precipita. Iria corre para a rua que circunda o adro e grita por socorro e que "acudam todos que estão a roubar a igreja". Levanta-se um burburinho que cresce à medida que a população acorre e se junta. Há pessoas a tentar correr, a trocar palavras e gritos, com lampiões mortiços na mão. Chegam à Igreja, a porta aberta, mas aparentemente nada foi roubado. Os intrusos, já se tinham retirado sorrateiramente, fugindo incólumes. Aparentemente não tiveram tempo para consumar o "desvio".
Nos dias seguintes foi tempo de contar e recontar o sucedido, aparecendo as mais variadas versões. Que sim, tinham roubado uns castiçais: que não, deixaram tudo, só estragaram a fechadura. Que tinham sido uns indivíduos de fora; que não, devia ser gente que conhecia os cantos à casa... Enfim o tempo passou e os detalhes do ocorrido também. Quem lucrou com tudo foi a Iria, que, não só ganhou a maior estima dos conterrâneos, como lhe foi acrescentado ao nome a Católica, alcunha que acompanhou para o resto da vida e pelo qual ainda hoje é recordada. Pelo seu heroísmo e defesa da Igreja.

Comentários