Ei-los entados à mesa dum qualquer quiosque de uma bomba de combustíveis junto à estrada que foge da cidade, saboreando os habituais 3 ou 4 golos de café numa tarde solarenga e triste de Dezembro. Poucas mesas e cadeiras dispersas por um pequeno espaço coberto por um moderno toldo de plástico acinzentado. Umas mesas ocupadas com transeuntes ou residentes locais, outras à espera.
A cidadania obrigaria a que os clientes, depois de adquirirem o café no quiosque e o saborearem nesta sala parcialmente condicionada pelo sol, vento e chuva, entregassem as respetivas chávenas, pires e colheres no balcão onde as recberam. Mas por vezes a preguiça ou a pressa abandonam na mesa as beatas e a loiça.
Um ou outro empregado reparam estes abandonos. Mas lá aparece também, com frequência, o bem disposto e pachorrento empregado mor, fundador e patrão moral da bomba e demais serviços anexos. Sempre coloquial e palavreador recorda ou improvisa histórias dos seus aparentemente bem passados anos de vida, entremeadas de ditos de fresca sabedoria que só a experiência nos concede. E lá arrepanha os pires e chávenas esquecidos com a mesma leveza do otimismo com que encara a vida e as faz regressar aonde os clientes as deviam ter levado.

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