Nessa manhã, o láparo fora encontrado fora e longe da sua toca nuns seranganhos, no calço acima onde o Toino se sentara. Aí estava, na outra ponta do calço, o seu filho Miguelito, duns 7 anitos, que o acompanhava nas caçadas e o ajudava no transporte das poucas e esparsas perdizes e coelhos que trazia para casa. O Nestlé gritava esbaforido atrás do coelho com olhos esbugalhados e orelhas espetadas, saltitando e ziguezagueando pelo calço fora na direção do Miguelito. Este, incrédulo e inexperiente em tais situações, pôs-se em posição de guarda redes a meio do calço. Num rasgo de ingenuidade e arrojo, esperava agarrar, como uma bola de futebol, aquele bicho aparentemente aflito. O Toino ainda teve tempo de se levantar e agarrar a espingada, mas quando subiu ao calço de cima já o coelho e o cão na sua peugada iam fora do seu alcance.
Deitado no chão, o Miguelito tinha sido traído por esta bola de pelo. Levantou-se desalentado e contou o que se tinha passado. O coelho ziguezagueou para a borda do calço, ele atirou-se para esse lado para o apanhar e o malvado virou rapidamente para o lado da parede e passou-lhe, que nem um tiro, junto aos seus pés, perseguido a uns bons 20 metros pelo seu Nestlé, tão novo e ingénuo como ele!
"Oh pai! Se eu fosse como o Costa Pereira tinha apanhado aquele malandro!" Dizia o Miguelito limpando as calças remendadas no cu e nos joelhos..."
"Não sei filho.... Ele ia com o fogo no rabo, nem me deu tempo de o ver bem... Se o meu tio Russinho não o estoirar primeiro, da próxima vez ele não nos vais escapar... Vamos para casa que a tua mãe há-de dizer boas coisas... Chegamos tarde e de mãos a abanar!!!"
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