Mas nesse dia, pai e filho passaram pelo local como cão por vinha vindimada, porque as prioridades eram outras... Ao passar por uma estreita passagem no muro que delimita o seu terreno com a vinha do vizinho, eis que o filho fica de olhos esbugalhados não querendo acreditar no que via. No chão, em cima de um pequeno tufo de ervas ele ali estava, o relógio de bolso ómega, agarrado a uma pequena corrente de prata. Aquele relógio, que fazia as delícias dos seus ouvidos, quando o seu pai carinhoso, ao serão, lho encostava ao ouvido para ouvir aquele tic-tic mágico, alternando com as delícias dos seus olhos fixos no ponteiro dos segundos.
Na sua cabeça rebentaram mil razões para aquela súbita descoberta, ao mesmo tempo que se baixava para o apanhar. O desejo de o ter sempre à mão para o ver e ouvir inundou-o por completo. Não era a medição do tempo, que tanto preocupava os mais velhos, que o interessava. Era o som e movimento daquele traço saltitante, arrumado numa casa circular, que o fascinava.
"Pai, então já não queres o relógio! Posso ficar com ele?" Exclamou de alegria, segurando o relógio pela corrente. "Já não o queres, pois não!" À exaltação seguiu-se um certo desalento, quando o pai num gesto constrangido se aproximou e agarrou o relógio e, com um pingo de piedade, retorquiu: "Deixa cá ver isto, rapaz!".
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