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Max

"Quem está a tentar assaltar-me o apartamento?" Gritou o Max do interior da caixa de papelão. Realmente, naquela manhã fria de Novembro, alguém andava ao cartão a fazer pela vida, apanhando o que podia para depois vender. Desconhecia que, naquela grande caixa que servira para aconchegar algum frigorífico, era agora o apartamento de Max. A reciclagem da caixa já estava feita e o reciclador teve de avançar para novas oportunidades.

Pois, no apartamento de papelão, sem rua nem número de polícia, arrumado a uma parede lateral ao edifício dos correios, estava ele, dormindo momentos de sono dos justos; a destilação dos copitos da véspera já estava realizada. Neste dia, acordara com a tentativa inoportuna e travada a tempo do assalto ao seu apartamento.

Max era afável, a seu modo. Falar rouco, discutia com quem se aproximava. Cumprimentava em tom áspero quem lhe lançava olhares reprovadores ou de compaixão. Afugentava irado quem não compreendia o seu estilo peculiar e a sua conduta libertária de que os cabelos e barbas pretos e desgrenhados, medrando à vontade, eram testemunho. Gostava da rua e distribuía olhares vidrados pela bebida amiga. Uma pele escura e enrugada anunciava o pesar dos anos e a raiva latente perante a adversidade.
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"Porra, outro a tentar assaltar-me o apartamento!"
"Desculpa lá ó Max!  Olha, toma lá um cigarro para o mata bicho... Pensei que já tinhas mudado para um apartamento da Câmbra..."
"Deixa o cigarro à porta. Vou ficar por aqui uns tempos... até chover. Depois logo se vê."

O Max já não mora no caixote cartonado. Agora, noutra dimensão qualquer, ri-se dos "Maxes" enfatuados que proliferam pelas ruas da sua madrasta cidade.

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