General: Essa guerra já foi. Agora o que está a dar é a guerra moderna. Não é preciso grande arsenal. Basta uma pequena arma, um drone, uma pedra, um teclado, um laser, um pozinho, um qualquer objeto, mesmo um telemóvel e vai tudo pelos ares. Trincheiras para quê?
Raso: Ai é? Passe pelos bairros chiques da cidade e o quê vê? Portas, muros, cães de guarda, sebes agressivas, pessoas nas trincheiras das suas casas... Passa pelas lojas, centros comerciais, e verás pessoas entrincheiradas na sua pele, comprando aqui, vendendo além, mirando um mundo de fantasia, digitando um ícone no seu telefone, apanhando um sorriso aqui e além e evaporando gradualmente os seus pensamentos e sonhos.
General: Está bem. Isso é o teu modo de veres as coisas. Mas sabes que as forças armadas estão sempre à frente. Em terra, ar e mar, nada escapa aos seus "radares". Se for preciso, ate se arranja uma guerrilha para testar ao vivo as inovações. Aproveita-se também para derrubar e eleger governos. E expandir uma ou outra multinacional amiga...
Raso: Pois é. Nós estamos a dar o melhor. Mas aqui na trincheira que mais eu posso fazer? Agarrar-me à metralhadora e fogo para quem me quiser matar. Lançar umas granadas e avançar para ocupar mais uns palmos de terrenos. Tal e qual o pessoal nos seus trabalhos, casas, condomínios... sei lá a onde...
General: Isso é um método muito visto! Está ou vai estar brevemente ultrapassado, porque é caro mover e armazenar coisas grandes, pagar, alimentar e municiar a tropa, etc e tal. É mais prático manipular informação, piratear os incautos, lançar a confusão, semear o terror. Isso é que é uma guerra santa.
General: Vou andando. Tenho o ministro da guerra à perna para lhe arranjar uma guerra assimétrica. E eu que gosto tanto de guerras eletrónicas... Meu Deus.
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