Estacionou
o carro, depois de uma longa jornada de cerca de 3 horas a conduzir de
regresso a casa. Era quase noite, saiu do carro e observou o
pára-brisas, capot e faróis. Entristecido, ajoelhou-se junto ao carro e
rezou algumas ave-marias pela alma dos imensos mosquitos esmagados
contra o carro. Rezou também por alma de uns poucos gafanhotos imóveis,
cravados na grelha frontal. O que antes tinham sido seres refinados pela
evolução para sobreviver em ambientes hostis, eram agora pontos inertes
num vidro ou chapa metálica.

Cansado e de joelhos doridos o nosso Panteísta acaba as preces e entra em casa. As suas ave-marias chegaram rapidamente ao céu. Tão rápido como o esquecimento a que votou os pontos de exosqueletos do seu carro. Descalça os sapatos de pele, atira o saco de roupa suja que levara para a viagem e liga a TV. Aparecem umas poucas moscas e mosquitos que aproveitaram a sua ausência e a temperatura amena da sala para deambularem pelos cantos da casa. Sabe Deus como ali vieram parar...
Voltou
a entoar a oração de perdão dos seus pecados passados e futuros que lhe
permitia sentir-se menos culpado. Depois, com calma, pegou num
inseticida e foi aspergindo os incautos insetos que atordoados iam
caindo um a um. Acabada a mortandade sentou-se no sofá, vendo e
reouvindo os acontecimentos trágicos do dia. Novamente os disparos, as
explosões e os atropelamentos, entremeados com carros fantásticos,
locais paradisíacos, bebidas celestiais e pílulas milagrosas.
O nosso panteísta lembra-se então dos noticiários que foi ouvindo pelo
caminho de regresso a casa. E acrescenta mais umas ave-marias pelas
pessoas e animais que se depararam tragicamente com a morte em explosões em
diversas cidades. Também algumas pelas que sucumbiram atropeladas por
carros e outros veículos, por incúria ou malvadez dos condutores. As
últimas orações foram para os mosquitos e gafanhotos mortos pelo mundo
inteiro.
Cansado e de joelhos doridos o nosso Panteísta acaba as preces e entra em casa. As suas ave-marias chegaram rapidamente ao céu. Tão rápido como o esquecimento a que votou os pontos de exosqueletos do seu carro. Descalça os sapatos de pele, atira o saco de roupa suja que levara para a viagem e liga a TV. Aparecem umas poucas moscas e mosquitos que aproveitaram a sua ausência e a temperatura amena da sala para deambularem pelos cantos da casa. Sabe Deus como ali vieram parar...
O nosso panteísta lembra-se então dos noticiários que foi ouvindo pelo
caminho de regresso a casa. E acrescenta mais umas ave-marias pelas
pessoas e animais que se depararam tragicamente com a morte em explosões em
diversas cidades. Também algumas pelas que sucumbiram atropeladas por
carros e outros veículos, por incúria ou malvadez dos condutores. As
últimas orações foram para os mosquitos e gafanhotos mortos pelo mundo
inteiro.
Um último pensamento acompanhou-o à entrada do sono. Tudo é obra de Deus, mas estes insetos por mais que os matemos, não desistem de nos chatear... E mesmo mortos e agarrados ao carro é difícil tirá-los de lá.
Comentários
Isto diria um qualquer tuaregue ou um asiático lá mais pro-fundo, por exemplo chinês, malaio ou vietenamita, mas claro, todos, PANteísta.
Ou seria que também se punham a rezar à santíssima trindade (PAI,Filho e Espírito Santo)? Pois, talvez não. Mas a Buda de certo que ajoelhavam.
Abraço.
Joaquinunes