Ontem, 10 de Julho, uma seleção de Portugueses ganhou a Taça da Europa de futebol. Ganharam a final à seleção francesa. Deitaram os foguetes e apanharam as canas... Esqueceram-se por uns tempos as debilidades, as quezílias e as amarguras de vidas duras, sofridas e incertas. Uma bola rolou num campo relvado iluminada por fortes holofotes. Pontapeada sem piedade e sem culpa alguma por vinte e tal homens, seguiu o seu destino, obedecendo às leis da física perante os olhares ansiosos de quem, por momentos gritava, sofria, implorando aos deuses que a sorte os favorecesse.Acabado o jogo, tudo foi gradualmente amainando. Desligaram-se os holofotes, os festejos dos vencedores e a tristeza dos vencidos foram-se dissipando e a vida costumeira foi retomando o seu curso. O tempo registará na memória de alguns as imagens as estatísticas o resultado e os intervenientes, talvez um ou outro facto anedótico e pouco mais. Agora, tal como antes do jogo, é a vez das discussões, opiniões avalizadas dos sábios do futebol e dos que apenas vão ver à "bola".
Como ela, muita gente é tratada a pontapé e, nas raras ocasiões em que é acariciada, acaba por ser devolvida de novo à turbulência da vida.
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