Avançar para o conteúdo principal

Persistência e experiência

Há histórias de várias pessoas proeminentes em diversos ramos da ciência e da arte, em que a escola onde se iniciaram não lhes pronunciava grande futuro. Algumas destas excepções dão que pensar. A escola produz bons alunos para a vida académica (alguns com ajuda duvidosa...), mas ver para além do imediato, persistir e acumular experiência perante os desafios fará toda a diferença.

Imagine o professor com a cabeça a transbordar de matérias e métodos, procurando explicar a uma turma de alunos, onde está o jovem Einstein, como é que a geometria euclidiana funciona e onde as linhas paralelas jamais se cruzam. A mente de Einstein não estaria lá. Corria pelo espaço multidimensional e via imensas linhas paralelas num espaço hiperbólico e nenhuma num espaço esférico. Dadas as limitações do tempo e conhecimento da matéria, é melhor não nos metermos por aqui... deixemos isso para os matemáticos e físicos.

Recuando no tempo, passamos por Beethoven sentado ao seu velho piano, a braços com sua surdez e a sua música inigualável. A sua experiência e amor à vida transborda da sua música. E Darwin, a coligir  os escritos e imagens de cinco anos de viagens, para nos mostrar como os seres vivos fazem pela vida e como todos nós estamos sujeitos à implacável seleção natural. Depois, Newton procurando nas coisas que se movem as leis que as regem,  desde a simples maçã que é atraída pelo chão ao corpo celeste mais longínquo que conseguia divisar com o telescópio que construiu.

Encontramos depois Galileu no seu ecletismo a colocar-nos fora do centro do espaço sideral, reduzidos a uma pequena peça desse espaço. Persistiu no amor ao espírito científico contra a Inquisição tenebrosa que, ainda hoje, sobre diferentes formas, nos cercea o pensamento e a ação.

Há e houve muita gente anónima que, tal como estes,  experimentou e persistiu para que a humanidade chegasse até aqui. Nós temos o futuro nas nossas mãos. Façamos uso da nossa experiência e nunca desistamos.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Maldita Enxada

Feita a escola primária, os irmãos Jeremias e Alberto trabalhavam no campo, podando, escavando e redrando com a enxada, acartando uvas em cestos vindimos, varejando, colhendo a azeitona. Enfim, um ciclo de tarefas exigidos pelos vinhedos, olivais e matas circundantes à pequena aldeia onde foram criados. Ciclo esse, regulado pelas estações do ano e o saber acumulado pela experiência e transmitido de pais para filhos. Jeremias e Alberto trabalhavam para um reduzido número de proprietários, já que de seu apenas tinham a casa modestamente mobilada de que as enxadas faziam parte. Pelo seus vinte e poucos anos, andavam a rotear com mais alguns homens para os lados das Antas. Aos pares, um com um ferro afiado aluía a terra e o outro com enxada ou pá virava a terra solta de modo criar uma vala de um metro de profundidade, tapando a vala anteriormente aberta, de modo a trazer à superfície a terra nova e mais produtiva e remetendo para a profundidade a já cansada. O dia de trabalho estav...

Perdido

O meu alfa diz-me para sair do carro depois de parar na berma da A24 e eu, educadamente, saí. Ele partiu e eu fiquei. Ainda esbocei uma tentativa de correr atrás do carro, mas não merecia a pena. Perdido, sem cheiros conhecidos para me orientar foi andando, procurando água e comida. Nada, a não ser aquele ruído rouco de carros a passar e cheiro penetrante a algo queimado. Ladrar não era solução. Passa um dia, vem a noite, novo dia e continuo a minha busca. Já o sol ia desaparecendo quando um carro pára. Não é tão grande e bonito como aquele do meu antigo alfa a quem fora fiel. Abrem uma porta e eu, desconfiado espetei as orelhas, fixei o meu olhar e o meu olfato, apesar de confuso pelos fumos e gases dos carros. Algo me diz que são de confiança. Entro para a parte de trás do carro. Não teria uma outra oportunidade como aquela. Vamos, certamente, para uma nova casa e terei um ou mais novos alfa. Há horas de sorte, se bem que ainda era cedo para ficar alegre e tranquilo. O cheiro a ...

Traição

- "Então, Calhona, lá traíste a nação!". Dizia em ar de reprovação e, ao mesmo tempo, zombeteiro o Carica.  - "Foi obrigado, meu padrinho, foi mesmo contra a vontade! Eles eram muitos e apanharam-me". desculpava-se o Calhona. No período do entrudo na aldeia, os moradores do cimo de vila e o baixo de vila passavam a ser considerados duas nações desavindas... A fronteira era a rua principal que a cortava a meio. Para além das ameaças e altercações entre os moradores desavindos, em horas mais renhidas havia tiros de caçadeira para o ar, mas na direção dos inimigos... O Calhona, à noitinha, como se lhe acabou o inseparável tabaco de enrolar, fez uma sorrateira incursão à taberna localizada no fundo de vila par o comprar. Mas foi detetado por ativistas inimigos, que o apanharam, interrogaram e o obrigaram a pegar numa caçadeira e disparar na direção do cimo de vila. A ação foi testemunhada e difundida por toda a aldeia como mais um triunfo dos da aldei...