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Palpites

Com a maior preocupação pelas audiências, os meios de comunicação social estudam ao pormenor o que mandam para nossas casas e o que lhes dá maior ganho. Desde o futebol à novela, da político à queda de um prédio, da morte no trabalho ou nas estradas, dos infernos aos paraísos. Há os provedores, os reguladores, os apresentadores, os comentadores e mais os "ores" que trabalham no produto que nos chega a casa. Aparece o passado que já pouca gente se lembra, o presente que se vai esquecer e o futuro incerto, que irá ser passado. Basicamente, procuram que vejamos e ouçamos o que eles querem; que aceitemos os seus desejos, imitemos os seus estilos e atuemos em conformidade.

Não vai querer um carro fazendo uma só chamada? Mas quantas mais fizer mais hipóteses tem de ganhar; você é que sabe... Compre o aparelho e a pílula doiradinha, que vai ficar elegante e irresistível, mesmo que continue a comer aqueles bolos carregados de chantilly . E estas próteses para ouvir o sino do Vaticano e ver mosquitos na serra do Marão. E você vai perder, amanhã, o casamento da Luísa com o Renato na telenovela da noite? Olhe que são os últimos capítulos... Já agora, veja novamente o Vasco e a Beatriz no Pátio das Cantigas. Olhe lá, vai perder a oportunidade da sua vida se se põe a pensar em vez de fazer já a sua encomenda...

Tenta a sorte que o azar é certo
Talvez o Sr. Otário esteja cansado de tanto lhe pedirem para arriscar um palpite falhado, correr atrás duma bandeira sem pátria, ser um empresário de sucesso levado à falência, trocar toda uma vida de trabalho por um pontapé no rabo. O Sr. Otário talvez se esqueça do futebol, da novela, da pílula da felicidade, da prótese milagrosa, do casamento da novela.

Mas um palpite é sempre um palpite. Atira-se para o desconhecido e espera-se que a sorte nos contemple. Muitos desolam e uns poucos ganham.





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