Estamos longe da máxima "ganhar ou perder tudo é desporto". Claro que literalmente é mesmo isso. No desporto de competição além do empate, ou se perde ou se ganha. Perder não é agradável, mesmo que tenha sido uma derrota injusta... Ganhar é bom, mas com sabor amargo se for apenas moralmente. Infelizmente não pode haver vitórias sem derrotas, ganhos sem perdas ou ir na frente sem outros atrás. No campo ou ginásio as equipas movimentam-se para superar o adversário, enquanto nas bancadas ou à frente do televisor, a expetativa inicial vai gradualmente diminuindo em felicidade ou tristeza à medida que o desenlace do jogo se advinha.
A competição é uma coisa estranha. Uns mais do que outros, não toleram perder. Não podem ver os outros ganhar, sem um misto de raiva e inveja. Ver ganhar o adversário pode ser tão doloroso que a frustração leva ao descarregar violento sobre não importa que ou quem. Ganhar ao rival é cúmulo da vingança. Todo o corpo vibra de felicidade e os atores dessa façanha são temporariamente os deuses na terra que ofuscam os deuses do céu. Pode-se morrer ou matar por amor ou raiva ao ídolo que nos levou ao desespero.
E agora que fazemos com a ideologia da colaboração. Quem defende ou apoia o desgraçado, a vítima, o incapacitado, o pobre, o deslocado, o faminto, o perdido, o zé ninguém? Esta ideologia da competição estará para ficar, cada vez mais infiltrada na produção, no consumo desenfreado e nas ideias sobre as organizações. A cooperação aparece entre subgrupos, algo tímida e acabrunhada, como meio para grupos suplantarem ou aniquilarem outros grupos.
Caim e Abel filhos de Adão e Eva queriam ambos agradar ao Senhor. Caim ofereceu algo de trivial como frutos apanhados de uma árvore, ao passo que Abel apresentou o melhor do seu rebanho. Ruído pela inveja do Senhor preferir as oferendas do seu irmão, Caim matou o Abel.
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