Há milénios que a terra, o planeta, está girar num eixo imaginário, rodopiando à volta de uma estrela como uma traça gigante encantada com a luz. Mas nas suas entranhas há um fogo a arder e, como tudo o que arde acaba por se consumir, também ela se irá encolher, rodopiar mais depressa e talvez agonizar sozinha no seu leito universal. E nós, tristes mortais nesta barca redonda, damos por garantida esta relojoaria, com corpos rodopiando, dançando e compartilhando luz, tempo e espaço.
Ouvem-se uns ruídos estranhos. Algures no seu eixo imaginário as engrenagens começam a dar sinais de fadiga. O óleo sujo espalha-se pelas peças ressequidas. O fumo escurecido vai-se espalhando e abraçando os seus continentes e mares. Os habitantes, distraídos rodopiam de casa em casa, de toca em toca, de rua para rua, de um lugar para lugar nenhum. O relojoeiro sem espanto, observa e abana a cabeça.
Lentamente o planeta abranda. Os dias e noites alongam-se. As estações diluem-se. O relojoeiro desanimado vai repetindo avisos: Metam mais lenha na fogueira! Tirem esse óleo sujo e ponham óleo novo! Soprem esses fumos para longe! Cuidado com aquecimento! Cuidado com o que estão a fazer! Não vêm o que estão a fazer seus palermas! Olhem que isto vai parar nos infernos! Na azáfama geral os avisos caem fora dos ouvidos dos habitantes. Poucos veem, alguns ouvem, ninguém sente... Riem uns, outros nem tanto. Aqui e além instala-se a confusão e a desordem. Há quem chore e quem grite;
quem se esconda e se manifeste; quem desafie e seja reprimido. Uns poucos recolhem aos seus esconderijos e muitos vagueiam sem destino.
Fumegante e cansado o planeta pára. O relojoeiro, cansado de gritar, desabafa; Eu avisei! Eu gritei! Eu... Os habitantes ressequidos ou regelados, ás escuras por nada ver ou nada existir, fazem as últimas preces, os últimos desejos, os derradeiros suspiros.
O relojoeiro guarda as suas ferramentas e haveres e descansa. Porém, antes de adormecer faz as suas preces. Amanhã decidirá se haverá condições para reparar este seu relógio. Depois partirá para outra Galácia, encontrará outro planeta que, pelo seu sopro e com as suas mãos porá a rodar, tal como um menino põe a rodar o seu pião...
Ouvem-se uns ruídos estranhos. Algures no seu eixo imaginário as engrenagens começam a dar sinais de fadiga. O óleo sujo espalha-se pelas peças ressequidas. O fumo escurecido vai-se espalhando e abraçando os seus continentes e mares. Os habitantes, distraídos rodopiam de casa em casa, de toca em toca, de rua para rua, de um lugar para lugar nenhum. O relojoeiro sem espanto, observa e abana a cabeça.
Lentamente o planeta abranda. Os dias e noites alongam-se. As estações diluem-se. O relojoeiro desanimado vai repetindo avisos: Metam mais lenha na fogueira! Tirem esse óleo sujo e ponham óleo novo! Soprem esses fumos para longe! Cuidado com aquecimento! Cuidado com o que estão a fazer! Não vêm o que estão a fazer seus palermas! Olhem que isto vai parar nos infernos! Na azáfama geral os avisos caem fora dos ouvidos dos habitantes. Poucos veem, alguns ouvem, ninguém sente... Riem uns, outros nem tanto. Aqui e além instala-se a confusão e a desordem. Há quem chore e quem grite;
quem se esconda e se manifeste; quem desafie e seja reprimido. Uns poucos recolhem aos seus esconderijos e muitos vagueiam sem destino.
Fumegante e cansado o planeta pára. O relojoeiro, cansado de gritar, desabafa; Eu avisei! Eu gritei! Eu... Os habitantes ressequidos ou regelados, ás escuras por nada ver ou nada existir, fazem as últimas preces, os últimos desejos, os derradeiros suspiros.
O relojoeiro guarda as suas ferramentas e haveres e descansa. Porém, antes de adormecer faz as suas preces. Amanhã decidirá se haverá condições para reparar este seu relógio. Depois partirá para outra Galácia, encontrará outro planeta que, pelo seu sopro e com as suas mãos porá a rodar, tal como um menino põe a rodar o seu pião...
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