Estou longe da terra que me viu nascer. Por isso, de vez em quando, vou-me mostrar à terra onde tudo, para mim, começou.
O tempo, esse inconstante, prega algumas partidas. Anuncia calor no lugar de partida e logo, no lugar de destino, arrepende-se e desata a arrefecer e a chover.
Encontra-se um ou outro vizinho e o início de conversa é, repetidamente: "então vieste trazer a chuva?"
E recordam-se os tempos e os lugares. Os tempos árduos do passado, as proezas e as agruras. As escolas cheias e as ruas com gente nova e alguns mais velhos. Recordam-se os que se salvaram e os que Deus não pôde ajudar...
Agora, um certo silêncio marcado pelo relógio eletrónico da torre da igreja. Puxa pela modernidade. Um ou outro cão ladra sem grande convicção. O mesmo se passa com o galo do vizinho. Alguns "idosos" sobem e descem pelas ruas calcetadas, depois ou antes de deixarem as suas preces e os seus agradecimentos na sempre imperturbável igreja da freguesia.
O tempo passou a correr. Voltamos e alguma chuva acompanhou-nos no regresso.
Voltamos às nossa rotinas.
Também aqui no lugar adotivo, há um passado plasmado nas praças, ruas, avenidas, passeios e casas. Os mais velhos agarram-se às lembranças dos espaços buliçosos, ruidosos e à esperança de que as novas estradas, comboios e aviões nos tragam de volta os familiares e amigos jovens, que entretanto partiram e certamente não voltarão.
O mundo mudou depressa de mais, talvez. Acelera. Muitos lugares ficam para trás. O seu destino é o nosso destino. Estará ele ao alcance das nossas mãos?
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