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Max

"Quem está a tentar assaltar-me o apartamento?" Gritou o Max do interior da caixa de papelão. Realmente, naquela manhã fria de Novembro, alguém andava ao cartão a fazer pela vida, apanhando o que podia para depois vender. Desconhecia que, naquela grande caixa que servira para aconchegar algum frigorífico, era agora o apartamento de Max. A reciclagem da caixa já estava feita e o reciclador teve de avançar para novas oportunidades. Pois, no apartamento de papelão, sem rua nem número de polícia, arrumado a uma parede lateral ao edifício dos correios, estava ele, dormindo momentos de sono dos justos; a destilação dos copitos da véspera já estava realizada. Neste dia, acordara com a tentativa inoportuna e travada a tempo do assalto ao seu apartamento. Max era afável, a seu modo. Falar rouco, discutia com quem se aproximava. Cumprimentava em tom áspero quem lhe lançava olhares reprovadores ou de compaixão. Afugentava irado quem não compreendia o seu estilo peculiar e a su...